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A tal da tarifa

da @marianabololo
bololos.wordpress.com

Ainda é janeiro, mas nos jornais vejo 30 mil pessoas sendo dispersadas pela polícia de São Paulo com tiro, porrada e bomba. Os colunistas da TV repetem a ladainhavandalismo, baderna e quebra-quebra. Entre os comentaristas de portal as reações são confusas: de um lado os olavetes acusam os jovens mascarados de serem milícia bolivariana do Foro de São Paulo”, do outro os governistas afirmam que o tal black bloc é uma “milícia financiada pela CIA. Em um dos vídeos tenho a impressão de escutar alguém gritar “não vai ter olímpiadas” e um frio me percorre a espinha. Confuso, não sei bem se é 2015 que não esperou o carnaval pra começar ou se é 2013 que ainda não acabou.

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Eixo Rio/São Paulo, eu sei que você treme

por Bruno Vieira

Pode parecer que o título faça uma elegia ao título conquistado pelo Atlético, o campeonato da Copa do Brasil. Você se enganou, porque não vou falar somente dele, mas dos nossos times locais – que estão jogando água no chope dos times paulistanos e cariocas; mais importante que isso, estão azedando o leitinho dos comentaristas das emissoras nacionais. Continuar lendo

Quando a Câmara de Vereadores se une à Prefeitura de Belo Horizonte para boicotar a participação popular

Por Débora Vieira*

Não é segredo algum o fato de que há anos a Câmara Municipal de Belo Horizonte tem funcionado mais como um escritório de despacho das decisões do poder executivo do que como um espaço de exercício do poder legislativo. Em outras palavras: em vez de trabalhar como um intermediário entre as demandas da população e de, sempre que necessário, fiscalizar o trabalho realizado pelo prefeito, nossos vereadores – em sua maioria aliados políticos de Marcio Lacerda – não têm medido esforços para atropelar toda e qualquer oposição que se faça às vontades do prefeito. E assim, nos últimos anos, a cidade assistiu ao aumento de mais de 150% no valor do IPTU, em 2010; à venda indiscriminada de terrenos públicos; ao substancial aumento da dívida pública da cidade; além da possibilidade de ter que engolir, em breve, o aumento de até 250% no valor do ISSQN. Tudo isso tendo de conviver com um modelo urbanístico falido, que privilegia os prédios e os carros em detrimento do trânsito de pessoas e da convivência entre elas.

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Respeite os mais velhos

O vizinho do apartamento 803, um senhor idoso, de respeitáveis bigodes brancos e dois sobrenomes que jamais se separam, mandou, tempos atrás, avisar que nada será tolerado. Nenhum barulho, nenhuma indiscrição, nenhuma conduta que escape à normalidade. Não será tolerado que se beba, não será tolerado que se converse fora das horas em condomínio expressamente permitidas ou não prescritas em estatuto. Manda avisar que fará uso de sua autoridade de síndico, conseguindo, se cabível, infligir ao condômino subversivo, uma pesada multa em certa quantidade de cruzeiros, devidamente atualizada e corrigida e, ainda, uma belíssima e inplacável possibilidade de despejo a todos que se rebelarem contra tais regras.

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Em defesa do anonimato

Na última semana uma série de diminutas manifestações defendendo o Golpe Militar varreu o país. Mesmo com participação ínfima, eles receberam ampla divulgação da mídia empresarial e um bom espaço como denúncia nas mídias alternativas de esquerda.

Embora o Brasil tenha um longo histórico de manifestações conservadoras,  a ideia de manifestações em defesa da repressão é uma novidade para quem, como eu, cresceu na Nova República. A verdade é que desde as Jornadas de Junho tenho visto várias novidades pelas timelines e ruas por aí, e devo admitir que ando um pouco perdido. Meus próximos posts no Mexidão são frutos das inquietações que tenho tido desde Junho.

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A quem interessa o adjetivo “universitário”?

Eu estou pesquisando um meio de cancelar meu diploma universitário. Estou ficando com medo de ser confundido com um produto do moedor de carne midiático em que se transformou o ensino superior e os processos a ele associados (escola, vestibular, mercado de trabalho etc).

Todos conhecemos o seguinte script:

  1. alguém abandona a faculdade ou é rejeitado por ela;
  2. essa pessoa realiza algum feito de grande sucesso e se torna modelo e inspiração pra muita gente.

Esse tipo de história é contada da seguinte maneira: o sucesso foi atingido apesar do abandono da faculdade. Eu desconfio do seguinte: o sucesso foi atingido justamente por causa do abandono da faculdade. (A noção de sucesso aqui ventilada não inclui traficantes, políticos profissionais e outros tipos de marginais bem-sucedidos financeiramente, não olhe pra mim desse jeito).

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As estranhas desventuras de Caíque, o neutrão

Meu nome é Caíque. Ou melhor, meu nome é Carlos Henrique do Amaral Gurgel, mas acho Caíque, assim, mais maneiro. Sou um cara assim, neutro, mais ou menos, tranquilão, de boa na lagoa. Não curto extremos nem extremistas. Gosto de levar a vida desse jeito, na melhor, fazendo as minhas coisas que eu sempre fiz. Mas tem sido difícil, saca?

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amigão

uma releitura de raoul vaneigem

paro na porta da cozinha, confiro o uniforme, o avental, a caneta, o bloquinho, a bandeja e, por fim, o sorriso. respiro fundo e percebo que minha alma, ao contrário da do ex-ministro, não cheira a talco, mas a cerveja velha e gordura queimada.  na minha cabeça ecoa a checklist do criolo: “vamos às atividades do dia: lavar os copos, contar os copos e sorrir a esta borda rebeldia”. entro na pista

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