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Respeite os mais velhos

O vizinho do apartamento 803, um senhor idoso, de respeitáveis bigodes brancos e dois sobrenomes que jamais se separam, mandou, tempos atrás, avisar que nada será tolerado. Nenhum barulho, nenhuma indiscrição, nenhuma conduta que escape à normalidade. Não será tolerado que se beba, não será tolerado que se converse fora das horas em condomínio expressamente permitidas ou não prescritas em estatuto. Manda avisar que fará uso de sua autoridade de síndico, conseguindo, se cabível, infligir ao condômino subversivo, uma pesada multa em certa quantidade de cruzeiros, devidamente atualizada e corrigida e, ainda, uma belíssima e inplacável possibilidade de despejo a todos que se rebelarem contra tais regras.

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Em defesa do anonimato

Na última semana uma série de diminutas manifestações defendendo o Golpe Militar varreu o país. Mesmo com participação ínfima, eles receberam ampla divulgação da mídia empresarial e um bom espaço como denúncia nas mídias alternativas de esquerda.

Embora o Brasil tenha um longo histórico de manifestações conservadoras,  a ideia de manifestações em defesa da repressão é uma novidade para quem, como eu, cresceu na Nova República. A verdade é que desde as Jornadas de Junho tenho visto várias novidades pelas timelines e ruas por aí, e devo admitir que ando um pouco perdido. Meus próximos posts no Mexidão são frutos das inquietações que tenho tido desde Junho.

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A quem interessa o adjetivo “universitário”?

Eu estou pesquisando um meio de cancelar meu diploma universitário. Estou ficando com medo de ser confundido com um produto do moedor de carne midiático em que se transformou o ensino superior e os processos a ele associados (escola, vestibular, mercado de trabalho etc).

Todos conhecemos o seguinte script:

  1. alguém abandona a faculdade ou é rejeitado por ela;
  2. essa pessoa realiza algum feito de grande sucesso e se torna modelo e inspiração pra muita gente.

Esse tipo de história é contada da seguinte maneira: o sucesso foi atingido apesar do abandono da faculdade. Eu desconfio do seguinte: o sucesso foi atingido justamente por causa do abandono da faculdade. (A noção de sucesso aqui ventilada não inclui traficantes, políticos profissionais e outros tipos de marginais bem-sucedidos financeiramente, não olhe pra mim desse jeito).

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amigão

uma releitura de raoul vaneigem

paro na porta da cozinha, confiro o uniforme, o avental, a caneta, o bloquinho, a bandeja e, por fim, o sorriso. respiro fundo e percebo que minha alma, ao contrário da do ex-ministro, não cheira a talco, mas a cerveja velha e gordura queimada.  na minha cabeça ecoa a checklist do criolo: “vamos às atividades do dia: lavar os copos, contar os copos e sorrir a esta borda rebeldia”. entro na pista

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Beatnik de boutique

O fascínio pelo passado é uma merda. Uma merda gigante, principalmente quando a gente é tão ligado a essa merda por laços completamente pessoais, dos quais a gente não consegue escapar nem explicar facilmente. Não se trata de um passado pensado, refletido, mas de fantasia, pura fantasia; tem, aliás, sempre um lado racional da gente, um lado do caralho, honesto, íntegro, que te avisa: “olha, a melhor época para se viver é hoje, por mais lixo que seja”. Mas quem disse que eu escuto? Mudei-me pra década de 50.

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